PERGUNTAS OU RESPOSTAS?

A vida está sempre nos tirando do lugar, nos questionando, nos abrindo possibilidades de perceber o mundo por outros vieses. Não existem respostas prontas ou certas. O que existe são possibilidades: às vezes muitas, às vezes poucas. E se, ao longo da vida, não aprendermos a escolher diante desse emaranhado de informações, tropeçaremos muitas vezes nas nossas próprias respostas (ou certezas). Quem não gostaria de ter a “bola de cristal” com as respostas sobre o nosso futuro?

“Quando a gente tem todas as respostas vem a vida e muda todas as perguntas”.

As respostas sempre dependem daquilo que se passa dentro de nós, daquilo que estamos sentindo no momento. Portanto, se prender a um talvez ou, depende, … pode ser melhor do que termos uma “irreal certeza”. Você gosta disso? Depende. Pode ser que hoje sim, mas amanhã… talvez não.
O importante pode não ser as respostas diretas e objetivas que damos, mas sim as perguntas que permitimos fazer a nós mesmos e os diversos caminhos que nossos questionamentos, ao respondê-las, podem nos levar.

O que é mais importante, as respostas ou as perguntas? No meu trabalho, pelo menos quando se trata de um ajustamento evitativo, fazer as perguntas “certas”  no momento oportuno possibilita desvios, que permitem que as pessoas descubram coisas que não sabiam sobre si mesmas. Nesse caso, dar uma resposta seria furtar do paciente/ cliente a oportunidade de criar e produzir, novas possibilidades de viver sua vida, de assimilar e integrar suas próprias experiências.
Mas, na vida de maneira geral, o que é mais importante? Ter todas as respostas, ou saber formular as perguntas certas? Vivemos numa época das respostas prontas, dos livros de auto-ajuda com  as dicas para se viver, ser melhor, ter mais sucesso, das fórmulas prontas. A educação contemporânea, apesar de muito distinta das mais tradicionais, não ensina a questionar. E questionar não é necessariamente ir contra. Para questionar, precisamos ter uma boa habilidade de observar, aprender com as experiências, escutar, refletir; e a maioria das pessoas não aprendeu a fazer isso. Mesmo com a internet que permite mais possibilidades de escolhas, as pessoas acabam escolhendo os textos curtos, as frases de impacto, a leitura fácil que traz em si todas as “respostas”. Mas a vida não é assim.
E a resposta?
 Quase sempre estará dentro de nós mesmos. O que a vida nos faz através das perguntas é permitir que possamos aprender a trilhar nosso próprio caminho e nos responsabilizar pelas escolhas que fazemos, porque garantias não temos, nem nunca teremos. Por isso, viver é um desafio, um grande desafio para os que têm coragem de olhar para si mesmos na busca por respostas que só trarão novas perguntas.
Um grande abraço a todos
Therezinha Silveira
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