Amor ou de-pendência emocional

 

imagesSe alguém aprendeu que amor é sinônimo de de-pendência, e estabeleceu relações doentias, também pode aprender outros modos de se relacionar com as pessoas e com a vida de forma saudável. Até porque a pessoa precisa estar lá para ela mesma, caso um dia o outro a abandone.

                … Se você se sente incompleto; apresenta alguma tendência para ser um adulto com pouca auto-estima e com uma necessidade excessiva de aprovação pelos demais; tem dificuldades em tomar decisões; não confia em si; não se sente valorizado; não se sente autossuficiente; se acha inferior; acredita que merece pouco e se contenta com isso; se vê vulnerável e manipulável… Se você se identifica com alguma dessas características, pode ser que seu caso esteja relacionado à de-pendência emocional. É um comportamento que varia de acordo ao o contexto de cada um. Pois, ‘cada caso é um caso’. São diferenças individuais, que são selecionadas pela genética, pelo aprendizado e pela cultura.

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É preciso estar aí para você, o que significa conviver bem com a própria companhia. Afinal, cada um vai ter que passar a vida toda consigo mesmo, então é melhor começar a resolver quaisquer problemas que tenhamos com a nossa pessoa. De-pendência é definida no dicionário como: s.f. Estado de dependente. / Sujeição, subordinação. / Acessório; parte de, anexo: as dependências de uma casa. Neste caso, o indivíduo emocionalmente dependente pode ser considerado aquele que deixa de ser quem é para ser o outro ou do outro.

A dependência emocional não se manifesta apenas no comportamento afetivo, mas em todos os contextos da vida. A dependência pode surgir durante o período da infância, quando a criança não tem suas necessidades básicas satisfeitas, crescerá com a sensação de vazio, que lhe falta algo que a complete. Dessa forma irá buscar satisfazer essa necessidade nos relacionamentos, na comida, no sexo, nas drogas, etc. Embora existam diferenças individuais entre as pessoas, todos nós precisamos criar vínculos, receber e oferecer carinho, amor e atenção. Ou seja, relações saudáveis.

             Contudo, surge um sério problema quando essas relações se tornam exageradas e sufocantes. Torna uma doença quando não é curada, pode levar à morte.  Isso acontece geralmente porque são pessoas que não gostam da própria companhia, não sabem o que fazer quando estão sozinhas, não sabem quem são, do que gostam e algumas vezes tem medo dessa solidão. E talvez por isso o outro se torne tão reforçador, (apesar de se sentir em algum momento sufocado.) Quando a relação é permeada pela dependência, quando esta começa a ‘adoecer’ é o momento em que deve surgir o ‘grito pela independência ou a morte’. A de-pendência passa a se tornar cada vez mais visível devido a seus danos e prejuízos. O que dificulta o rompimento desse ciclo vicioso é a consequência reforçadora, que de alguma forma oferece ganhos ao dependente. Quando o dependente emocional decide pela independência e quebra a relação estabelecida entre resposta e reforço, os comportamentos de dependência são colocados em extinção, ou seja, as respostas operantes deixam de produzir as consequências que as mantinham.

Embora não exista uma fórmula mágica para acabar com a dependência emocional, é possível se aprender a manipular determinadas variáveis relacionadas a este contexto. Neste sentido, o tratamento consiste em: autoconhecimento. Inclui também desenvolvimento de comportamentos relacionados ao autocontrole, auto-estima, autoconfiança, liberdade e autonomia. A principal proposta da Análise do Comportamento é analisar as relações do organismo com o meio e possibilitar a independência do indivíduo de uma forma diferente. O autoconhecimento possibilita que o indivíduo possa planejar sua vida, e embora a independência não seja conquistada de forma integral, tem a possibilidade de manipular as variáveis de seu ambiente, substituindo os eventos aversivos por estímulos menos desagradáveis (Carvalho Neto, 2000). Esta mudança contribui para um relacionamento interpessoal mais positivo. E além disso, é importante ter algo a oferecer ao outro, porque se alguém for tudo pra nós, não teremos nada para oferecer. Para isso é preciso que se desenvolva amor próprio, para que situações de humilhação não sejam permitidas, para que não se contente com migalhas, para que tenha noção do seu próprio valor, que cuide de sua saúde física e emocional, é preciso que tenha amigos e realize atividades prazerosas, é preciso desenvolver a individualidade e ser autossuficiente. Sendo assim, Independência ou Morte!

Abração

Tereza Silveira

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