RELACIONAMENTOS EMPOBRECIDOS

imagesSabe-se que, o que o ser humano mais deseja, é afeto. Esse é o nosso diamante, nada é mais tão importante para o ser humano do que a sensação de pertencimento, de ser aceito. Parece que tudo nos leva a buscar esse afeto, o sentir amado. O ser humano se constrói pela influência do outro; se percebe pela reação do outro. Relacionar-se é enriquecer-se de experiências, É crescer emocional, existencial e espiritualmente, por aceitar as diferenças e as fragilidades observadas tanto do outro quanto a de si mesmo. Pessoas excessivamente tímidas ou desconfiadas estão sempre esperando ser criticadas, por exemplo, pode se habituar a ouvir só a crítica em si e nada mais, ou então só escuta aquilo que consegue aceitar como favorável. São esses os relacionamentos difíceis.

Se tememos avaliação ou crítica, provavelmente nos sentiremos inferiores e menores do que os outros e certamente abaixaremos os olhos, evitando qualquer contato visual, por não querer se expor, ocultando sentimentos e fugindo do que possamos perceber no outro. Essas pessoas utilizam da tecnologia para não cair com o isolamento social. A internet, por sua vez ocupa o papel de manter as pessoas próximas, porém muito distantes umas das outras, muitos se contentam com comunicação, fútil, empobrecida e fria. Daí o aumento da incidência de doenças mentais em uma geração pobre de afeto. Mas a modernidade é marcada pelo empobrecimento da experiência de vida afetiva, do relacionamento corpo-a-corpo.

 Acredita-se que, devido a esse empobrecimento nas relações humanas pode levar a uma desregulação neuro-hormonal, produzindo transtornos ansiosos e uma desregulação do Sistema Nervoso Autônomo, que transforma-se em radicais livres, substâncias que lesam as moléculas, e os tecidos e aceleram o envelhecimento. Esses radicais são a base de muitas doenças.

A conduta humana é imprevisível, soma de emoções, vivências diferenciadas, habilidades, inabilidades e aprendizados sociais variados o que ajuda também estar ciente de suas próprias capacidades, para se fortalecer e se ter energia suficiente para suportar a frustração. Mas vale a pena!

Um Abraço

Therezinha Silveira

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O eclipse da figura do pai e a violência

images (4)É notória a crise da figura do pai na sociedade contemporânea. Por função parental, ele é o principal criador do limite para os filhos. Seu eclipse provocou um crescimento de violência entre os jovens nas escolas e na sociedade, que é exatamente a não consideração aos limites.

O enfraquecimento da figura do pai desestabilizou a família. Os divórcios aumentaram de tal forma que surgiu uma verdadeira sociedade de famílias de divorciados. Não ocorreu apenas o eclipse do pai, mas também a morte social do pai. A ausência do pai é, por todos os títulos,  inaceitável. Ela desestrutura os filhos, tira o rumo da vida, debilita a vontade de assumir um projeto e ganhar autonomamente a própria vida.

A criança vem da experiência da mãe, do aconchego, da satisfação dos seus desejos, do calor da intimidade onde tudo é seguro, numa espécie de paraíso original. Agora, tem que aprender algo de novo: que este novo mundo não prolonga simplesmente a mãe; nele, há conflitos e limites. É o pai que introduz a criança no reconhecimento desta dimensão. Com sua vida e exemplo, o pai surge como portador de autoridade, capaz de impor limites e de estabelecer deveres.

É singularidade do pai ensinar ao filho o significado destes limites e o valor da autoridade, sem os quais eles não ingressam na sociedade sem  traumas. Nesta fase, o filho se destaca da mãe, até não querendo mais lhe obedecer e se aproxima do pai: pede para ser amado por ele  e espera dele orientações para a vida. É tarefa do pai explicar, ajudar a superar a tensão com a mãe  e recuperar a harmonia com ela.

Operar esta verdadeira pedagogia é  desconfortável. Mas se o pai concreto não a assumir estará prejudicando pesadamente seu filho, talvez de forma permanente. O que ocorre quando o pai está ausente na família ou há uma família apenas materna? Os filhos parecem mutilados, pois se mostram inseguros e se sentem incapazes de definir um projeto de vida. Têm enorme dificuldade de aceitar o princípio de autoridade e a existência de limites.

Faz-se urgente um re-engendramento, sobre outras bases,  da figura do pai. Para isso, antes de qualquer coisa, é de fundamental importância fazer a distinção entre  os modelos de pai e o princípio antropológico do pai. Esta função personalizadora não está condenada a desaparecer. Ela continua e continuará a ser internalizada pelos filhos e filhas, pela vida afora, como uma matriz na formação sadia da personalidade. Eles a reclamam.

Todo este processo não é linear. É tenso e objetivamente difícil mas imprescindível. Os pais devem se coordenar, cada um na sua missão singular, para agirem corretamente. Devem saber que pode haver avanços e retrocessos; estes pertencem à condição humana concreta e são normais. Pois, a figura de um pai indispensável para que eles amadureçam e ingressem na vida sem traumas  até que se façam eles mesmos pais e mães de si mesmos. É a maturidade.                         (Leonardo Boff, teólogo e filósofo)

Abração

Therezinha Silveira