Ter amigos pode contribuir para saúde emocional

Estarmos com amigos é uma forma privilegiada de socializar e a socialização tal como Vygotsky afirma, é a base do desenvolvimento humano. Sem a socialização, não desenvolveríamos processos cognitivos superiores nem nos apropriaríamos devidamente da cultura.

Pesquisas mostram que durante a vida, acumulamos aproximadamente 400 amigos. Em média vivemos rodeados por uns 30/40 amigos e em média apenas 6 são verdadeiros. Os adultos passam menos 10% de tempo com amigos do que adolescentes e crianças.

 

A amizade não deve ser definida por aquilo que o outro nos representa, mas pelo afeto que nutrimos por ele. Consequentemente, não deveríamos contabilizar quantos amigos temos, mas de quantas pessoas somos amigos. Feliz não é aquele que tem um amigo verdadeiro, mas aquele que consegue ser amigo verdadeiro de alguém, e ser amigo verdadeiro de alguém significa simplesmente gostar verdadeiramente de outra pessoa. Talvez seja por isso que as amizades de hoje são tão frágeis. As pessoas não gostam umas das outras. E como gostar verdadeiramente de alguém quando esperamos dos outros a companhia que nunca falha, a afinidade perfeita e a lealdade eterna? Quem espera isso dos outros vive frustrado e contrariado, e não há afeto que possa brotar e se desenvolver na aridez da frustração e da contrariedade.

Os amigos contribuem para a construção da própria identidade, das ideias e valores, sentimentos de pertença e objetivo. Estes são fundamentais na construção do nosso auto conceito, visto que a ideia que temos de nós próprios é construída pelo contínuo reflexo que os outros nos transmitem.

Está comprovado que a companhia frequente de amigos reduz bastante o risco de depressão, a ansiedade, os sintomas degenerativos das demências. As pessoas que estão rodeadas de amigos possuem hábitos mais saudáveis, preocupam-se mais consigo próprias, possuem uma auto-estima mais elevada, melhor bem-estar e até melhor sistema imunitário.

Em suma, o amigo ideal se encaixa nesse trio ‘companhia + afinidade + lealdade’. Analisando esse trio friamente, é fácil entender por que a amizade verdadeira é tão difícil de conquistar. Os mais dramáticos dizem que um amigo verdadeiro é a maior riqueza que alguém pode alcançar na vida. Porém, num mundo impermanente, cheio de reviravoltas e imprevistos, formado por pessoas que precisam mudar o tempo todo para se desenvolver e se adaptar, é óbvio que nossos amigos vão nos deixar sozinhos muitas vezes, vão passar a pensar e a sentir de forma contrária à nossa e vão agir diferentemente do esperado por nós. E se nossas amizades forem sustentadas na base do trio ‘companhia + afinidade + lealdade’ seremos obrigados a concordar que preservar um amigo verdadeiro por toda a vida será mais difícil que achar um amor eterno. A amizade precisa ter outra base. Mesmo porque, chamar de amigo apenas aquele que satisfaz o trio ‘companhia + afinidade + lealdade’ é chamar de amigo apenas aquele que tem alguma utilidade para nós. Definir a amizade por esse trio é defini-la com base na serventia do outro: Amigo é aquele que serve para fazer companhia, aquele que serve para nos deleitarmos com nossas próprias idéias e aquele que serve para nos auxiliar quando precisamos. Uma definição bastante mesquinha de amizade, não é verdade? É mesquinha, egoísta e hipócrita! Essa definição é, infelizmente, bastante comum, e ela é tão mesquinha, egoísta e hipócrita porque nela definimos a amizade com base naquilo que o amigo deve representar para nós quando, ao invés, deveríamos defini-la com base naquilo que sentimos por ele.

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